terça-feira, 15 de setembro de 2009

A vida por um triz

"Para mim, é tão simples... que a vida deve ser vivida perigosamente. É preciso exercitar a rebelião. Recusar-se a ficar preso a regras. Recusar o próprio sucesso. Recusar a se repetir. Ver cada dia, cada ano, cada ideia como um verdadeiro desafio. E então você vai viver na corda bamba". Philippe Petit

Em 7 de agosto de 1974, o jovem francês Philippe Petit andou durante uma hora sobre um cabo de ferro suspenso entre as duas torres do World Trade Center.

domingo, 30 de agosto de 2009

DE TODAS AS OBRAS - Bertolt Brecht

De todas as obras humanas, as que mais amo são as que foram usadas.


Os recipientes de cobre com as bordas achatadas, e com mossas


os garfos e facas cujos cabos de madeira


Foram gastos por muitas mãos; tais formas


São para mim as mais nobres. Assim também as lajes


Polidas por muitos pés, e entre as quais


Crescem tufos de grana: estas são obras felizes.


Admitidas no hábito de muitos


com frequência mudadas, aperfeiçoam seu


formato e tornam-se valiosas


Porque delas tanto se valeram.


Mesmo as esculturas quebradas


com suas mãos decepadas, me são queridas. Também elas


São vivas para mim. Deixaram-nas cair, mas foram carregadas.


Embora acidentadas, jamais estiveram altas demais.


As construções quase em ruína


Têm de novo a aparência de incompletas


Planejadas generosamente: suas belas proporções


Já poem ser adivinhadas, ainda necessitam porém


De nossa compreensão. Por outro lado


Elas já serviram, sim, já foram superadas.


Tudo isso me contenta.

Trecho de "A Terra Desolada" - Sobre a Guerra e o odio dos homens.

"Cidade irreal,
Sob a fulva neblina de uma aurora de inverno,
Fluía a multidão pela Ponte de Londres, eram tantos,
Jamais pensei que a morte a tantos destruíra.
Breves e entrecortados, os suspiros exalavam,
E cada homem fincava o olhar adiante de seus pés.
Galgava a colina e percorria a King William Street,
Até onde Saint Mary Woolnoth marcava as horas
Com um dobre surdo ao fim da nona badalada.
Vi alguém que conhecia, e o fiz parar, aos gritos: “Stetson,
Tu que estiveste comigo nas galeras de Mylae!
O cadáver que plantaste ano passado em teu jardim
Já começou a brotar? Dará flores este ano?
Ou foi a imprevista geada que o perturbou em seu leito?
Conserva o Cão à distância, esse amigo do homem,
Ou ele virá com suas unhas outra vez desenterrá-lo!
Tu! Hypocrite lecteur! – mon semblable –, mon frère!”

Fonte: Eliot, T. S. 1981. Poesia, 6a edição. RJ, Nova Fronteira. O poema todo compõe-se de cinco seções (o trecho acima corresponde à primeira, intitulada “O enterro dos mortos”) e foi originalmente publicado em 1922.

A Tempestade (Khalil Gibran)

Pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam ocoração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.


Gibran Khalil Gibran (1883-1931)

À espera dos bárbaros (Konstantinos Kaváfis)

O que esperamos na ágora reunidos?


É que os bárbaros chegam hoje.


Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?


É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.


Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?


É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.


Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?


É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.


Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?


É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.


Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?


Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.


Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Stuart Edgard Angel Jones

"Mãe você me pergunta se eu acredito em Deus. Eu te pergunto que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus no Homem, pois, somente no homem ele pode existir. Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão. Todo homem por si só influencia a natureza do seu futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações. Esse poder que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina, eu me curvo diante do Deus dentro de mim."

Stuart Edgard Angel Jones

sábado, 8 de agosto de 2009

À meu pai

Carta Para Si Mesmo
Danilo Dal Farra Ribeiro


E como se praquele menino
valesse a eternidade de cada pedra que existe,
fez uma casa delas, bem pequenas,
mas cada uma.

De valor tão inestimável
que não poderia existir concretamente.

Das pedras ouvi histórias
de uma esperança romântica
que se fez vivida numa realidade concreta.

Cada pequena tem sua versão,
mas todas dizem do menino-Deus-humano
que queria mudar o mundo.

Mudar o mundo é muita coisa.

E ali ele se deitou,
no telhado de sua primeira casa,
a ensinar os filhos a contar estrelas,
como quem contempla uma infinita missão.

Dançou e girou ao som dos poetas
que falavam palavras suas.
Embalou suas crias no colo
enquanto dirigia rumo a esse infinito que abriu.

As pedras colhidas,
cada vez mais longe,
contam de um navio que descobre mares.

Todas as roupas foram lavadas ali mesmo,
ao abrir de novos nasceres,
novos sóis.

Encontrou terras e correu sobre elas,
empinando pipas e entregando-as
aos novos meninos,
que não mais precisariam ir a venda
buscar café.

Jogou-os por cima do ombro
a caírem nas águas
que caía sozinho.
Tinha que dividir a alegria
que não teve de ser menino.

Deus-homen-super-homem.
Mudar o mundo é muita coisa.

Continuou a escalar colinas
com eles no cangote
para que vissem horizontes
que não o foram mostrados.

Caiu de pé tantas vezes
mordendo a mandíbula
para que não o socorressem.
Nos olhos de seus filhos
fez brilhar todas as sensações
que não pudera viver.

Menino-Deus-humano.
Carne e osso.
De levantar paredes
ganhou calos de vida.
Mudando paisagem
na força do punho do dia-a-dia.

Fez jardins.

Aí escorre dele a lágrima calada.
Sentado, corre pra si,
e volta ao trabalho.

Menino que fez brilhar o sonho de tanta gente.
As pedras, as estrelas, a água...
E o jardim? E o vento? E a varanda?
O fogão de lenha? A rede?

A vida é uma carta
que a gente escreve
pra gente mesmo.

E no meio da noite
o menino pega seu lápis
e senta no chão
ao lado das brasas
do fogão de lenha e começa:

“Filho, se um dia ler esta carta,
saiba que escolhi não cumprir
o destino que me deram.
Se vou morrer um dia,
vou morrer pela vida.”




Nunca vi uma pedra mentir
E tem uma certa alegria nisso
Pois elas confessavam, cúmplices,
segredos desse menino.

Uma mão a mim e a outra a tudo que existe.
E assim vamos os três,
graves como convém
a um Deus e a um poeta,
recolhendo as próximas.

Desenhou um sol.
Um sol mal pintado.
Feito à mão.
E me ensinou a rir do simples
e me emocionar com ele.

Aquele sorriso do menino me intrigava.
Um entendimento puro.

Mudar o mundo é muita coisa.

Aquele sorriso me gerou um momento inacabado.
Não por falta de fazer, mas pela generosidade
de se permitir ser continuado.

Guardei o presente.

Hoje sigo esse caminho que é também desse menino.
Ele segue sorrindo em meus sonhos,
como se soubesse onde vai dar essa estrada.
Ao meu lado descubro outros olhos que se fazem brilhar.
Talvez centenas, que um dia também sonharam com ele
e respiraram dessa esperança, dessa coragem.

Uma mão pousada sobre o peito
que constrói toda uma casa
de pequenas pedras,
com lareira e coberta.

Pra que, algum dia, que tu sabes qual é,
se encontre consigo mesmo
a entregar essa carta.
E que esse seja seu melhor momento.

(Inspirado em “O Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro)

Dedico a meu Pai – o menino.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Manifesto Poético

Só o afeto nos põe em contato real conosco e com os outros. O afeto não passivo, o afeto atuante, fruto de uma agressividade por vida, como a árvore que quebra, com suas raízes, o concreto das calçadas.Contra toda hipocrisia de sorrisos amarelos e relações à meia ponta, eu apelo pela urgência deste contato. Pela liberdade de ver, olhar, enxergar, de verdade, toda a verdade, seja ela o que for, sem filtros, e tocá-la, tendo ela a aparência que tiver, tendo ela defeitos na pele.

Que essas verdades sejam berradas nas ruas, que as troquemos nas praças, que dancemos com todas nos palcos, que nos embriaguemos das nossas e quantas mais quisermos. Que elas possam ser feias e bonitas, boas e más, como as coisas que são desse mundo. E que, ainda assim, possam se transformar a qualquer momento.

Queria me fazer entender de modo ríspido e simples como tiro no peito, mas sou poeta, vejo cenas do meu passado. Vejo um ensaio de escola de samba no morro, uma Folia de Reis que corre a rua, uma feira folclórica com poetas e cantadores. Vejo também pessoas comprando em um grande shopping da cidade grande, grande, grande, tão grande que não me lembro...Vejo o menino correndo nu, filho de todo mundo. Vejo-me garoto, comendo no prato de alguém que não sei quem, naquela multidão de rostos fraternos da praça da igreja. Vejo também, desde sempre, tantas crianças artistas. Mas vejo os falsos poderes e o número de fitas de videogame, o olhar distante, muros altos, crianças adultas... Espera aí, Espera aí... Eles se esbarram, duas crianças, uns seis anos mais ou menos, eles se olham... Mas o tempo dos adultos lembra que é hora, que é hora, que é hora, da aula de inglês, do kumom, da computação... Porque eles serão preparados para o mundo, para o futuro, para aprender as coisas que os adultos têm para ensinar.

INDIGNAÇÃO! Mesmo que poética, INDIGNAÇÃO!

Pessoas constroem muros entre elas enquanto a religião derrama culpa num caldo grosso de moldes sociais onde, mergulhados, desistimos de tentar nadar até o outro...Pois não desistam! Não desistam de tocar no que é você e no que são os outros. Logo aí depois das máscaras!Que as televisões sejam desligadas e que as pessoas conversem, que saiam da internet e se reúnam ao redor de grandes fogueiras, tocando, cantando e fazendo poesia. Que possam se olhar nos olhos e que nesses olhos vejam a si mesmas para então poderem falar de amor. De amor de verdade. Sem subir de volta a superfície, mas mergulhando cada vez mais fundo no olho do outro, onde possam encontrar o contato verdadeiro e que, por causa dele e através dele, se expressem. Que essa expressão seja sincera, espontânea e divina como a de criança humana. Que rompa a neblina e quebre os muros dos labirintos criados pela falta desse amor. E que os olhos vejam só os olhos. Que esse olhar faça brotar flores e amarelas elas sejam, para colorir esse caminho que é de cada um e é de todos. E assim, entendam todos que o pecado é não viver. E que a compreensão da mais pura das verdades, que é a da necessidade do outro e de si próprio, leve consigo, como forte vento, todos os medos.
Que as pessoas se toquem, troquem afeto e sejam, simplesmente sejam, como humanas crianças eternamente, assim como o Cristo do Poeta o fez.Agradeço aos qua acreditam em mim, me estimulam e incentivam e também aos que não acreditam, me provocam, me testam e me fazem reagir.

Dedico este manifesto simples e talvez ingênuo, aos meus amigos artistas. Pelo contato e afeto que, muitos sem saber, me dedicaram, me fazendo recordar que nossa arte é sobre relações humanas e generosidade. Obrigado.

Danilo Dal Farra

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Expansão - Evolução

O momento presente pede o querer,
Expansão de consciência, de criatividade, de sensibilidade.
É preciso querer antes de mais nada.
Depois entender os princípios esquecidos e voltar às raizes.
Desaprender pra lembrar.
Lembrar que evolução começa na saúde, física, mental, emocional, espiritual...
Se realimentar bem nessas camadas.
Cuidar das relações e revisitar o pequeno, o simples.
Lembrar dos ensinamentos: Os opostos se somam e ampliam.
Cuidemo-nos

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Manifesto

O que me encanta no teatro é esta possibilidade de escolher. Assim, escolho para mim o Teatro de verdade. Aquele teatro que tenha o mínimo possível de efeitos, o mínimo. E que contenha a máxima teatralidade em si próprio. Que na figura do humano no palco se realize uma alquimia única: aquela em que a realidade da representação (da reapresentação) é mais vibrante que o próprio tempo cronológico. Que critique esse tempo, que revele esse tempo. Que nesse começo de século o teatro possa reafirmar o sentido essencial como bem mais evidente que matéria descartável. Quero trocar a fantasia da composição teatral pela presença viva do ator. Acredito na relação de nova realidade que se faz na força da presença viva do ator, engajado na história com suas idiossincrasias, sem recursos do fabricado, limpidamente como água na fonte. Os valores do palco muitas vezes estão povoados de valores de bastidor, de camarim. Quero o palco nu. Os figurinos, cenários e discursos radiofônicos muitas vezes acoplam parasitárias imagens no ator. Não quero decoração. Quero no seco. Com raiva decreto o fim do excesso. A pirotecnia mente. Quero sinceridade. No lixo o broche. No palco o peito. O ritmo e o espaço em si trazem diagramas teatrais vertentes de riqueza. Cervantes e a palavra, Beethoven e a nota, o teatro e o ator...
Como ator, autor, palhaço, minha preocupação sempre é o poder, as injustiças sociais, os comportamentos padronizados, a estética e a ética rançosa do sistema patriarcal capitalista. Cada vez mais estou menos interessado nos movimentos microcósmicos da sociedade. Cada vez menos cultivo ídolos. Cada vez menos acredito no best-seller. O senso comum está desmistificado no Brasil que pára para ver novela. Que elege seus mitos com os mesmos parâmetros com que reclama, invariável e passivamente, do governo. Essa sociedade que se protege no útero do padrão. Cada vez mais estou mais anarquista. Cada vez mais rio dos políticos (dos de profissão e dos de atuação). Cada vez mais me salvo pelo caminho pessoal, individual, único. Aos meus ex-alunos sempre digo, se me perguntam o que fazer: inventem, porque os princípios estão rangendo, há algo de podre em todos os lugares. Trabalho pelas gerações que virão, não tenho a menor crença no resultado imediato. Mas sei que o Teatro verdadeiro altera algumas bases do nosso mundo. Quero uma organização mais limpa da comunicação. Que se respire menos barrocamente nesta área. Odeio a maior parte das regras de nossa organização social. Considero antivida, com cheiro de mofo, todos os cânones comportamentais, o gosto da estética burguesa, a despersonalização de colonizado. A morna atitude de nossa nação mediocriza nossa experiência vital. Aí nossa cultura reflete esse cômodo respirar consumista, essa falta de diversidade. Esse pequeno clube de interior, que é nosso ambiente cultural, se ressente. Ser artista aqui exige que se enfrente o solitário desejo pessoal de mudar, de inventar, de renovar. Quanto ao mercado, sobreviver dentro dele já é outra perspectiva. Igual a qualquer outro mercado. Acrescido do abandono do que seja arte numa Republiqueta.
Artista tem ouvido de tuberculoso. Político é sadio. As pessoas pensantes, não as que não gostam de pensar, mas as que saboreiam o cérebro e acariciam a alma, estão muito preocupadas. Com o vírus, com o fim. Tudo está muito urgente agora. Os valores se atropelam. Há muitos espetáculos de teatro que olho e penso: mas isso é pré-Aids, agora não é mais assim.
Estou mais apto hoje, para os inimigos. Me sinto mais categorizado com a raiva sem fim que trago contra a banalização, o superficial. Convivi muito com o suicídio mental para despertar hoje os princípios da sobrevivência com know-how. Escolher e alimentá-los. A ilusão morreu. Depois recolhemos a placenta e a comemos como vaca. Amamentou-se o feto. Deu no que deu: maturidade. Aceito o fim como presente de poderosos: somente kharmas autônomos o enfrentarão com criatividade e vitalidade. A verdade hoje assumiu-se como passaporte para o amanhã.

Assim na arte como na vida. Porque pra mim é o mesmo.

Resposta

Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando.

MESMO ASSIM

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.
Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.
Se você tem paz e é feliz, As pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz MESMO ASSIM.
Dê ao mundo o melhor de você,mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você MESMO ASSIM.
Veja você que, no final de tudo
Nunca foi entre você e os outros,
mas sim entre você e você mesmo.

Guerra

É isso mesmo! Hoje começo uma guerra aqui. Não sei no vai dar, mas não me aguento mais e vou começar a dar nomes aos bois.
Existe um movimento hoje que se intitú-la "auto ajuda" onde autores colocam num mesmo barco pensamentos de Mahatma Gandhi e do Presidente da marca de Geladeira. Onde "atores" que vendem Coca-cola se intitulam artístas se colocando no mesmo barco que uma DENISE STOKLOS. Então pera aí vamos parar com essa putaria!

Faz um tempinho, um grupo de teatro empresarial veio a minha casa, convidados pela minha mulher. Foram muito bem recebidos. Com o tempo fui entendendo essas pessoas que querem "ajudar" os outros e cada vez mais entendo esse movimento de "auto ajuda" no teatro.
Eles dizem que querem formar líderes e ajudar as pessoas a serem melhores, mas pra quem apresentam? e qual é a referência deles sobre pessoas melhores? quem são eles que precisam vestir uma roupa de um best seller e não sabem falar por si mesmos?

Começo hoje essa pesquisa aqui. Estamos em épocas de quedas de máscaras. Como artísta e como Humanista me vejo no dever de limpar um pouco a área. Vamos ser francos!
Então vamos começar a falar de liderença e de sucesso de verdade aqui. Vamos falar de agregadores e valorizadores da alma humana e da coletividade apartir da potência da individualidade. Vamos falar do sucesso de alma, de rastro e do coletivo, da auto-realização que soma todos os vetores opostos e amplia o coletivo e não da liderança de baias por um bem da dominação. Vamos ter coragem de olhar no fundo da ponta da lança e ver com sinceridade o que estamos fazendo com esses valores. Vamos às origens e tirar essa roupa hipócrita capitalista desses conceitos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ser

Pétalas que caem sobre raízes enrijecidas. Raízes rígidas e profundas para então o tronco se expor ainda rígido e firme. Os galhos que nascem mais ousados e flexíveis se distanciando do centro e se lançando no espaço, rasgando o vazio na incerteza. Folhas livres da rigidez, leves e soltas, dançando a chuva, o vento e os animais que a cercam. Folhas levadas a brincar essa profundidade que as sustenta. E aí então a flor que se expõe completamente na beleza de sua entrega, no máximo de sua fragilidade, para intensamente viver instantes e então se permitir morrer, e no momento mais belo, soltar suas pétalas para que pousem já escuras, sobre as raízes permanecidas. Pétalas que caem sobre raízes enrijecidas.

O dia

Um dia um homem qualquer há de erguer as mãos para o céu, e, encarando seu criador, com sua simples condição de uma parte que é, levantar a voz e dizer:- Dança comigo. Porque a noite já fizeste e o sol e as águas. Agora simplesmente pisa esse barro debaixo dos meus pés e dança comigo. Dança com essa parte pequena do que és tu. Ouve essa música? São tantos os medos nossos e os erros que meu corpo agora esmorece e minha mente cansada já não exige mais nada de ti. Simplesmente uma dança, como quiser: uma alegre ou sofrida. Abraça-me ao final.

Caminho

Eu me procuro o tempo todo, a cada dia. E disso, acredito, é feita a vida.
Às vezes me perco pensando demais em valores que não são meus. Mas, eu me acho, a cada dia. E disso, acredito é feita a vida.
Às vezes bato a cara na parede desse quarto escuro. Procuro portas e janelas. Mas as pancadas também me servem para mostrar onde não estão as saídas. Recolho-me e tento outra vez. E disso, acredito, é feita a vida.
Às vezes encontro frestas e abro portas e janelas, deixo entrar essa luz e me alimento dela. Então sigo para outro quarto escuro a fim de abrir a casa inteira. E disso, acredito, é feita a vida.

Que cada um faça contato com a sua verdade.

Algumas fontes sugerem que estamos atualmente nos aproximando da Idade de Ouro ou Satya Yuga. No “Brahma-Vaivarta Purana”, que é um texto religioso Hindu, o senhor Krishna diz a Ganga Devi que uma nova Idade de Ouro irá começar 5 000 anos depois do início do Kali Yuga e que esta durará 10 000 anos. Esta previsão da chegada de um novo mundo é também profetizada pelos maias. O calendário maia começou com o 5º Grande Ciclo em 3113 a.C. e terminará em 21 de Dezembro de 2012. O Kali Yuga Hindu começou em 18 de Fevereiro de 3102 a.C. Só existe uma diferença de 11 anos entre o começo do Kali Yuga e o começo do 5º Grande Ciclo dos maias. Os antigos Hindus utilizaram principalmente calendários lunares, mas também calendários solares. Se o calendário lunar normal equivale a 354,36 dias por ano, então seriam 5270 anos lunares desde que começou o Kali Yuga até à data de 21 Dezembro de 2012. São cerca de 5113 anos solares de 365,24 dias por ano desde o início do Kali Yuga até ao Solstício de Inverno de 2012. Desta forma, o calendário Maia parece corroborar o calendário Hindu. Quer por anos solares ou lunares, de acordo com as antigas escrituras Hindus, parece ter chegado o tempo da profecia de Krishna se realizar. Uma idade de ouro pode assim começar em 2012. É impressionante porque ambos os calendários começam mais ou menos ao mesmo tempo, há cerca de 5000 anos atrás e ambos prevêem um novo mundo totalmente diferente, uma Idade de Ouro que se iniciará cerca de 5000 anos depois do começo dos mesmos. E não deixa de ser espantoso porque, historicamente, estas duas culturas antigas não tiveram nenhum tipo de contato. Mais uma vez parece existir alguma verdade por detrás disto.

Não nos restam dúvidas que a nossa civilização está à beira do colapso. Nunca antes estivemos mergulhados em tantas crises: crise financeira mundial, crise alimentar, crise energética, escassez de água e petróleo, consumismo frenético, ameaças de terrorismo e guerras nucleares, o reaparecimento de doenças mortais, escândalos envolvendo políticos, quedas de governos, mudanças climáticas e o aumento impressionante das catástrofes naturais e da extinção de espécies, além do agravamento da violência e distúrbios civis.

Por que e', que para ser feliz, e' preciso não sabe-lo?
Que o "termino" nos traga um recomeço, porque a alma é eterna e esperançosa.