segunda-feira, 13 de julho de 2009

Manifesto Poético

Só o afeto nos põe em contato real conosco e com os outros. O afeto não passivo, o afeto atuante, fruto de uma agressividade por vida, como a árvore que quebra, com suas raízes, o concreto das calçadas.Contra toda hipocrisia de sorrisos amarelos e relações à meia ponta, eu apelo pela urgência deste contato. Pela liberdade de ver, olhar, enxergar, de verdade, toda a verdade, seja ela o que for, sem filtros, e tocá-la, tendo ela a aparência que tiver, tendo ela defeitos na pele.

Que essas verdades sejam berradas nas ruas, que as troquemos nas praças, que dancemos com todas nos palcos, que nos embriaguemos das nossas e quantas mais quisermos. Que elas possam ser feias e bonitas, boas e más, como as coisas que são desse mundo. E que, ainda assim, possam se transformar a qualquer momento.

Queria me fazer entender de modo ríspido e simples como tiro no peito, mas sou poeta, vejo cenas do meu passado. Vejo um ensaio de escola de samba no morro, uma Folia de Reis que corre a rua, uma feira folclórica com poetas e cantadores. Vejo também pessoas comprando em um grande shopping da cidade grande, grande, grande, tão grande que não me lembro...Vejo o menino correndo nu, filho de todo mundo. Vejo-me garoto, comendo no prato de alguém que não sei quem, naquela multidão de rostos fraternos da praça da igreja. Vejo também, desde sempre, tantas crianças artistas. Mas vejo os falsos poderes e o número de fitas de videogame, o olhar distante, muros altos, crianças adultas... Espera aí, Espera aí... Eles se esbarram, duas crianças, uns seis anos mais ou menos, eles se olham... Mas o tempo dos adultos lembra que é hora, que é hora, que é hora, da aula de inglês, do kumom, da computação... Porque eles serão preparados para o mundo, para o futuro, para aprender as coisas que os adultos têm para ensinar.

INDIGNAÇÃO! Mesmo que poética, INDIGNAÇÃO!

Pessoas constroem muros entre elas enquanto a religião derrama culpa num caldo grosso de moldes sociais onde, mergulhados, desistimos de tentar nadar até o outro...Pois não desistam! Não desistam de tocar no que é você e no que são os outros. Logo aí depois das máscaras!Que as televisões sejam desligadas e que as pessoas conversem, que saiam da internet e se reúnam ao redor de grandes fogueiras, tocando, cantando e fazendo poesia. Que possam se olhar nos olhos e que nesses olhos vejam a si mesmas para então poderem falar de amor. De amor de verdade. Sem subir de volta a superfície, mas mergulhando cada vez mais fundo no olho do outro, onde possam encontrar o contato verdadeiro e que, por causa dele e através dele, se expressem. Que essa expressão seja sincera, espontânea e divina como a de criança humana. Que rompa a neblina e quebre os muros dos labirintos criados pela falta desse amor. E que os olhos vejam só os olhos. Que esse olhar faça brotar flores e amarelas elas sejam, para colorir esse caminho que é de cada um e é de todos. E assim, entendam todos que o pecado é não viver. E que a compreensão da mais pura das verdades, que é a da necessidade do outro e de si próprio, leve consigo, como forte vento, todos os medos.
Que as pessoas se toquem, troquem afeto e sejam, simplesmente sejam, como humanas crianças eternamente, assim como o Cristo do Poeta o fez.Agradeço aos qua acreditam em mim, me estimulam e incentivam e também aos que não acreditam, me provocam, me testam e me fazem reagir.

Dedico este manifesto simples e talvez ingênuo, aos meus amigos artistas. Pelo contato e afeto que, muitos sem saber, me dedicaram, me fazendo recordar que nossa arte é sobre relações humanas e generosidade. Obrigado.

Danilo Dal Farra

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Expansão - Evolução

O momento presente pede o querer,
Expansão de consciência, de criatividade, de sensibilidade.
É preciso querer antes de mais nada.
Depois entender os princípios esquecidos e voltar às raizes.
Desaprender pra lembrar.
Lembrar que evolução começa na saúde, física, mental, emocional, espiritual...
Se realimentar bem nessas camadas.
Cuidar das relações e revisitar o pequeno, o simples.
Lembrar dos ensinamentos: Os opostos se somam e ampliam.
Cuidemo-nos

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Manifesto

O que me encanta no teatro é esta possibilidade de escolher. Assim, escolho para mim o Teatro de verdade. Aquele teatro que tenha o mínimo possível de efeitos, o mínimo. E que contenha a máxima teatralidade em si próprio. Que na figura do humano no palco se realize uma alquimia única: aquela em que a realidade da representação (da reapresentação) é mais vibrante que o próprio tempo cronológico. Que critique esse tempo, que revele esse tempo. Que nesse começo de século o teatro possa reafirmar o sentido essencial como bem mais evidente que matéria descartável. Quero trocar a fantasia da composição teatral pela presença viva do ator. Acredito na relação de nova realidade que se faz na força da presença viva do ator, engajado na história com suas idiossincrasias, sem recursos do fabricado, limpidamente como água na fonte. Os valores do palco muitas vezes estão povoados de valores de bastidor, de camarim. Quero o palco nu. Os figurinos, cenários e discursos radiofônicos muitas vezes acoplam parasitárias imagens no ator. Não quero decoração. Quero no seco. Com raiva decreto o fim do excesso. A pirotecnia mente. Quero sinceridade. No lixo o broche. No palco o peito. O ritmo e o espaço em si trazem diagramas teatrais vertentes de riqueza. Cervantes e a palavra, Beethoven e a nota, o teatro e o ator...
Como ator, autor, palhaço, minha preocupação sempre é o poder, as injustiças sociais, os comportamentos padronizados, a estética e a ética rançosa do sistema patriarcal capitalista. Cada vez mais estou menos interessado nos movimentos microcósmicos da sociedade. Cada vez menos cultivo ídolos. Cada vez menos acredito no best-seller. O senso comum está desmistificado no Brasil que pára para ver novela. Que elege seus mitos com os mesmos parâmetros com que reclama, invariável e passivamente, do governo. Essa sociedade que se protege no útero do padrão. Cada vez mais estou mais anarquista. Cada vez mais rio dos políticos (dos de profissão e dos de atuação). Cada vez mais me salvo pelo caminho pessoal, individual, único. Aos meus ex-alunos sempre digo, se me perguntam o que fazer: inventem, porque os princípios estão rangendo, há algo de podre em todos os lugares. Trabalho pelas gerações que virão, não tenho a menor crença no resultado imediato. Mas sei que o Teatro verdadeiro altera algumas bases do nosso mundo. Quero uma organização mais limpa da comunicação. Que se respire menos barrocamente nesta área. Odeio a maior parte das regras de nossa organização social. Considero antivida, com cheiro de mofo, todos os cânones comportamentais, o gosto da estética burguesa, a despersonalização de colonizado. A morna atitude de nossa nação mediocriza nossa experiência vital. Aí nossa cultura reflete esse cômodo respirar consumista, essa falta de diversidade. Esse pequeno clube de interior, que é nosso ambiente cultural, se ressente. Ser artista aqui exige que se enfrente o solitário desejo pessoal de mudar, de inventar, de renovar. Quanto ao mercado, sobreviver dentro dele já é outra perspectiva. Igual a qualquer outro mercado. Acrescido do abandono do que seja arte numa Republiqueta.
Artista tem ouvido de tuberculoso. Político é sadio. As pessoas pensantes, não as que não gostam de pensar, mas as que saboreiam o cérebro e acariciam a alma, estão muito preocupadas. Com o vírus, com o fim. Tudo está muito urgente agora. Os valores se atropelam. Há muitos espetáculos de teatro que olho e penso: mas isso é pré-Aids, agora não é mais assim.
Estou mais apto hoje, para os inimigos. Me sinto mais categorizado com a raiva sem fim que trago contra a banalização, o superficial. Convivi muito com o suicídio mental para despertar hoje os princípios da sobrevivência com know-how. Escolher e alimentá-los. A ilusão morreu. Depois recolhemos a placenta e a comemos como vaca. Amamentou-se o feto. Deu no que deu: maturidade. Aceito o fim como presente de poderosos: somente kharmas autônomos o enfrentarão com criatividade e vitalidade. A verdade hoje assumiu-se como passaporte para o amanhã.

Assim na arte como na vida. Porque pra mim é o mesmo.

Resposta

Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando.

MESMO ASSIM

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.
Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.
Se você tem paz e é feliz, As pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz MESMO ASSIM.
Dê ao mundo o melhor de você,mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você MESMO ASSIM.
Veja você que, no final de tudo
Nunca foi entre você e os outros,
mas sim entre você e você mesmo.

Guerra

É isso mesmo! Hoje começo uma guerra aqui. Não sei no vai dar, mas não me aguento mais e vou começar a dar nomes aos bois.
Existe um movimento hoje que se intitú-la "auto ajuda" onde autores colocam num mesmo barco pensamentos de Mahatma Gandhi e do Presidente da marca de Geladeira. Onde "atores" que vendem Coca-cola se intitulam artístas se colocando no mesmo barco que uma DENISE STOKLOS. Então pera aí vamos parar com essa putaria!

Faz um tempinho, um grupo de teatro empresarial veio a minha casa, convidados pela minha mulher. Foram muito bem recebidos. Com o tempo fui entendendo essas pessoas que querem "ajudar" os outros e cada vez mais entendo esse movimento de "auto ajuda" no teatro.
Eles dizem que querem formar líderes e ajudar as pessoas a serem melhores, mas pra quem apresentam? e qual é a referência deles sobre pessoas melhores? quem são eles que precisam vestir uma roupa de um best seller e não sabem falar por si mesmos?

Começo hoje essa pesquisa aqui. Estamos em épocas de quedas de máscaras. Como artísta e como Humanista me vejo no dever de limpar um pouco a área. Vamos ser francos!
Então vamos começar a falar de liderença e de sucesso de verdade aqui. Vamos falar de agregadores e valorizadores da alma humana e da coletividade apartir da potência da individualidade. Vamos falar do sucesso de alma, de rastro e do coletivo, da auto-realização que soma todos os vetores opostos e amplia o coletivo e não da liderança de baias por um bem da dominação. Vamos ter coragem de olhar no fundo da ponta da lança e ver com sinceridade o que estamos fazendo com esses valores. Vamos às origens e tirar essa roupa hipócrita capitalista desses conceitos.